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HISTÓRIA

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Professora Charlotte Kemper

 

Charlotte Kemper, dona Carlota para os brasileiros, nasceu em Warrenton, Virginia, aos 21 de agosto de 1837, filha de William Samuel Kemper e Sara Humpreys Kemper.

Ao atingir a idade para receber educação completa, foi entregue aos cuidados de uma tia, cuja escola ficava perto de sua casa.

Seu pai, gracejando, costumava dizer que gostaria de ter somente uma filha e que ela deveria chamar-se Carlota, porque incontestavelmente seria tão feia quanto uma Carlota que ele conhecia. Ele, William Samuel, em 1847, foi nomeado Patrono e Diretor da Universidade de Virginia, criada por Thomaz Jefferson.

Carlota Kemper estudou César e Virgílio, álgebra, geometria, Xenofonte, grego, latim, alemão, italiano e francês. Estudou piano, violão e canto, além de alta matemática e, mais tarde, hebraico.

De Warrenton a família mudou-se para Gordonville, onde seu pai fundou uma escola para rapazes, ajudado pelos filhos Delaware e Kociusko. Mais tarde os pais de Kemper mudaram-se para uma fazendo entre as cidades de Alexandria e Mount Vernon, tendo como fundo o Rio Potomac. Carlota foi com os pais. Os irmãos passaram a cuidar de suas próprias vidas.

Durante a Guerra Civil seu pai foi convocado para servir como Oficial Intendente e seus irmãos mandados à linha de frente de combate. Carlota e a mãe Sarah, abandonaram a fazenda e foram procurar pela residência ancestral de Culpeper, no Colorado.

De 1861 a 1865, Carlota Kemper foi secretária de seu pai, ora no campo de batalhas, ora em Richmond, onde ela e sua mãe buscaram refúgio procurando manterem-se sempre o mais perto possível do exército confederado no "front" de guerra.

Em virtude da derrota dos confederados os bens da família foram confiscados. Um oficial de New York mandou, em sua presença, encaixotar seu piano e o enviou para sua esposa em Elmira, EUA. A prataria da família e outros bens tiveram destinos semelhantes.

Nos anos seguintes dona Carlota foi professora particular de diversos alunos e lecionou em escolas de Redland, Albermarle County e, finalmente, por doze anos, em Augusta Femaly Seminary, depois, Colégio Maria Baldwin.

Quando do falecimento da patronesse e diretora dessa escola Carlota Kemper já se encontrava no Brasil como missionária e não poderia, como todos esperavam que acontecesse, assumir a direção daquele educandário nos Estados Unidos. No entanto recebeu de Miss Baldwin uma herança de dez mil dólares. Todo o dinheiro foi gasto na construção de igrejas e na manutenção de moços e moças estudantes. O depositário, nos EUA sugeriu, mais tarde, que uma parte do dinheiro fosse guardada para a velhice de Dona Carlota. Ela respondeu-lhe que não precisava daquele dinheiro e gastou-o da forma como achou que deveria faze-lo: em benefício dos outros.

Veio para o Brasil em 1882, respondendo a um apelo feito durante um culto pelo Reverendo Eduardo Lane. A Comissão Executiva da Missão aceitou-a em vista de seu excelente preparo cultural, e ótima saúde, embora contasse 45 anos de idade. Dedicou-se, inicialmente, à instrução das moças em substituição à missionária Nannie Henderson, que estava enferma. Em menos de um ano assumir a direção do Departamento de Moças.

Colaborou na preparação de um livro de inglês para brasileiros, que foi utilizado nas escolas do país por muitos anos.

Dona Carlota era de natureza independente e preferia, sempre, fazer suas coisas sozinha. Foi vítima da febre amarela em Campinas, chegando, segundo relatos, à beira da morte. Seu médico foi o Rev. Dr. Eduardo Lane, depois também vitimado pela moléstia, durante a qual recebeu os cuidados de Dona Carlota, até seu falecimento.

Nesta ocasião adotou uma menina, filha de pais tiroleses, órfã de mãe, chamada Lydia Perglar, mais tarde Lydia Kemper. Sua filha tornou-se, mais tarde, uma das mais distintas alunas do Gammon, e teve sete filhas.

Durante vinte anos, Kemper foi a responsável pela preparação das lições internacionais da Escola Dominical, que eram utilizadas no Brasil, Portugal, colônias portuguesas nos Estados Unidos e nas ilhas do Havaí. É autora do livro "O cego Bartimeu" e tradutora de vários textos utilizados na escola, então.

Em 1908, ano de criação da Escola Agrícola do Colégio Evangélico, hoje Universidade Federal de Lavras, a East Brazil Mission homenageou-a dando seu nome à escola de moças da instituição: Colégio Carlota Kemper, cujo prédio, que começou a ser construído em 1925 e inaugurado em 1927, ano de seu falecimento, foi pago com uma doação, por ela recebida, das sociedades femininas das Igrejas Presbiterianas do estado de Virginia.

Estudante por vocação, certa vez, em uma classe de Português, destinada a missionários americanos, alguém perguntou-lhe sobre o mínimo que deveriam saber para lançarem-se ao trabalho. Sua resposta foi: "Não se trata de mínimo, mas de máximo, e da melhor maneira de usá-lo. Devemos dar ao Senhor o melhor que pudermos.".

Gostava de contar histórias às moças do internato. Certa feita ao narrar a história de Andromeda, que fora salva por Perseu e com ele se casara, ouviu a pergunta de uma das moças: "Dona Carlota, por quê a senhora nunca se casou?". A resposta, dada ao mesmo tempo que seu sorriso característico, foi: "Porque sempre fui muito feia."

Ela amou entranhadamente o Brasil. Tem seu nome em ruas de Lavras e do Rio de Janeiro e, a todos manifestava seu desejo de morrer na Terra do Cruzeiro. Enfraquecida, três meses antes de completar 90 anos de idade, privada da visão, aos 15 de maio de 1927, ao por do sol, seu espírito deixou seu corpo frágil e voltou a Deus, que o deu.

Dona Carlota lecionou, em 1922 as disciplinas de História Sagrada e Latim, além de exercer as funções de Bibliotecária.

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