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Rev.
Dr. Samuel Rhea Gammon
Samuel Rhea Gammon,
filho de Audley Anderson Gammon e Mary Faris Gammon,
nasceu aos 30 de março de 1865, em Bristol,
estado da Virginia, Estados Unidos da América
do Norte, duas semanas antes da rendição
do sul ao norte, na Guerra da Secessão.
O pai, Audley, havia
sido próspero comerciante em Bloutville, Tennessee,
e como quase todos os sulistas, investiu tudo o que
tinha em títulos Confederados, vindo a perder
todas as suas economias.
Quando Samuel contava
seis anos de idade, mudaram-se para Montgomery e, mais
tarde, para Rural Retreat, na Virginia. Seus irmãos
foram quatro: Bessie, Nannie, Spence e Minnie.
Estudou no King College
de Bristol, onde trabalhou parte do tempo a fim de
complementar o pagamento de suas despesas e, por uma
vez, teve necessidade de interromper por um ano seus
estudos e trabalhar em tempo integral para poder prover
o pagamento de suas necessidades. Trabalhou em uma
casa de ferragens na cidade de Knoxville, cujo proprietário
convidou-o a ali continuar. Recusou. Queria completar
seus estudos e poder realizar a tarefa que seu coração
mandava.
Conseguia melhorar
seu orçamento durante os últimos anos
no King, lecionando Aritmética e Álgebra
para classes inferiores. Aluno de bom aproveitamento,
foi escolhido orador de sua turma e, por ocasião
da formatura recebeu medalhas como melhor aluno de
filosofia e letras. Seus discurso de formatura foi
baseado em Goethe: "Quero luz !".
Concluídos os
estudos no King, foi para o Union Theological Seminary,
de Hampdem-Sidney, Virgínia, e paralelamente
fez um curso de francês no Hampdem-Sidney College.
Ainda como seminarista colaborou com a Igreja de Reconvert,
West Virginia, substituindo, nas férias, o pastor
local.
Formou-se em Teologia
em 1889 e neste ano teve trabalho regular nas Igrejas
de Lynchburg e Jamestown, Virginia, tendo sido ordenado
Ministro do Evangelho na reunião de seu presbitério
realizada em Rock Spring Church, no sudoeste do estado.
Após decidir-se
por sua vinda para o Brasil, como Missionário,
a Segunda Igreja Presbiteriana de Alexandria, no mesmo
estado, responsabilizou-se por seu sustento. Embarcou
para o Brasil aos 23 de novembro de 1889 no navio "Advance",
que fazia a viagem em 33 dias. No navio iniciou seu
aprendizado de Português com a missionária
Carlota Kemper que regressava ao Brasil após
suas férias regulamentares de seis meses a cada
sete anos de trabalhos no campo missionário.
Chegou ao Rio de Janeiro
na manhã de Natal de 1889 e dali foi para Santos,
de onde, de trem, chegou a Campinas, SP, sede do campo
missionário ao qual se destinava, em 27 de dezembro.
Seu primeiro trabalho, delegado pela Missão,
foi a direção do Colégio Internacional.
Em setembro de 1892
foi aos Estados Unidos tratar da mudança do
Colégio para Lavras, MG, retornado em junho
do ano seguinte.
Em 8 de julho de 1893
chegou a Lavras para reassumir a direção
do Colégio.
No final deste ano,
por cabograma datado de 13 de dezembro, foi convocado
para se fazer presente a uma reunião da Assembléia
Geral da Igreja Presbiteriana dos EUA, marcada para
acontecer na cidade de Nashville, a fim de tratar de
assuntos referentes às propriedades da Missão
em Campinas, e sobre a forma de administrá-las.
Neste mesmo mês
recebia carta de sua prima Willye Humpreys, com quem
havia contratado núpcias, marcando a data do
casamento, que se realizaria aos 27 de junho de 1894,
na cidade de Newberne, no seu estado natal. A viagem
para a pátria teve início aos 14 de março.
Ao desembarcar em New
York, foi detido pela Polícia local que o confundira,
através da lista de passageiros, com Saldanha
da Gama, que chefiara no Rio de Janeiro, uma revolta
da armada e que desaparecera após a rendição
da esquadra.
Gammon retornou ao
Brasil em setembro daquele ano, acompanhado de sua
esposa, com quem teve uma filha, Mary Elizabeth, no
navio "Coleridge" que reduziu o tempo de
viagem para 25 dias, chegado a Lavras no mês
seguinte. A filha "Maria Isabel", mais tarde
casada com o Reverendo A. L. Davis, deu, em companhia
do marido, mais de 40 anos de trabalho missionário
ao Brasil.
Os registros mostram
que, até setembro de 1895, a escola contava
com dois anos de existência em Lavras, em Gammon
não esteve presente nela por mais do que 90
dias, em virtude das inúmeras atividades do
trabalho missionário que devia fazer. Neste
ano as matrículas de alunos internos somavam
dez e era "grande" (Gammon, op. cit.) o número
de alunos externos.
Esteve em Lavras,
atendendo concomitantemente ao campo evangelístico
da região, até 1901, quando foi para
São Paulo substituir, por um ano, o Reitor do
Seminário Presbiteriano, Dr. John Rockwell Smith,
que se encontrava adoentado.
Aos 13 de maio de 1902
embarca para os Estados Unidos em viagem de férias
regulamentares e neste ano recebe, do King College,
o título de Doutor Honoris Causa em Teologia.
Em 1926, pela mesma instituição, o título
de Doutor Honoris Causa em Leis.
Retorna a Lavras em
1903 e efetiva, com autorização da Missão,
a compra da Chácara, até então
alugada, onde funciona, até hoje, o Colégio.
Em 1905 recebe a notícia
do falecimento de seu pai Audley Anderson Gammon, aos
17 de agosto. Três anos após, em 1908,
vítima de insidiosa moléstia, faleceu,
em Rural Retreat, sua esposa Willye Humpreys Gammon,
a quem os brasileiros chamavam dona Guilhermina. Ele
estava nos Estados Unidos, para onde havia levado a
esposa para tratamento.
Os recursos no Brasil
haviam-se esgotado em termos de tratamento. Reverendo
Samuel Gammon casou-se pela segunda vez aos 28 de fevereiro
de 1911, com a também missionária Clara
Gennet Moore, com quem teve os filhos Audley, Billy,
Alice, Joseph e Richard. Dos homens, todos vivos,
Audley vive em Petrópolis, RJ, e os dois últimos
são pastores e residem nos EUA. Com exceção
de Audley, todos nasceram em Lavras, MG, onde encontram-se
os restos mortais das filhas mulheres e do casal Samuel
e Clara.
Em 1913 é novamente
chamado aos Estados Unidos para colaborar, junto às
Igrejas Presbiterianas, de uma grande campanha que
visava obter fundos para o trabalho missionário
que se realizava em grande número de países
como: Brasil, China, Japão e outros, retornando
ao Brasil no ano seguinte durante a Primeira Grande
Guerra Em 1916 vai ao Panamá como representante
da obra educacional presbiteriana no Brasil, por ocasião
do Primeiro Congresso Missionário Latino-americano.
Durante o surte de "gripe
espanhola" que assolou Lavras, abre no Colégio,
em 11 de novembro de 1918, um hospital de emergência
para atender às vítimas da doença,
tendo como enfermeiras as missionárias que residiam
em Lavras, incluindo sua esposa. Dr. Gammon transitava
pela cidade em seu coche, recolhendo doentes e transportando-os
para o devido tratamento. Sua esposa foi vitimada pela
gripe espanhola e, por último, também
ele caiu enfermo.
Por recomendação
da Missão vai para os Estados Unidos, em 1920,
para restabelecimento da saúde e em 1923 vai,
com toda a família em férias regulamentares,
retornando em 1924 para Lavras.
Aos quatro de julho
de 1928, dia da Independência de seu país
natal, o Rev. Dr. Samuel Rhea Gammon rendeu sua alma
ao Criador, à bordo de um carro especial da
Central do Brasil, no desvio de Barra Mansa a caminho
de Lavras. No dia seguinte foi decretado feriado na
cidade de Lavras que, em grande número de seus
habitantes fora aguardar a chegada de seus restos mortais
na Estação Ferroviária. O jornal "O
Município" publicava a manchete "Morreu
o Dr. Gammon. The right man in the right place".
No Instituto, o Dr.
Gammon lecionou (Prospecto, 1922), as cadeiras de Psicologia,
Lógica e História da Filosofia, além
de Pedagogia para o curso Normal, em 1910 .
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