O SETE DE SETEMBRO

O Instituto Presbiteriano Gammon de Guanhães mais uma vez brilhou na participação do dia da Independência do Brasil, o 7 de setembro. Algumas pessoas, principalmente seguimentos sociais vinculados à ideologias de esquerda, questionam sempre o porquê de tanto empenho da escola em comemorar esse dia sem protestos. Segundo eles, o dia deveria ser aproveitado para manifestações contra as políticas econômicas do governo.

Para o Gammon, o Sete de Setembro deve ser comemorado, levando em consideração, vários outros aspectos do contexto maior além da protesto que é salutar.
O primeiro fala de independência. Independência de Portugal. Deixar de ser colônia. Embora haja hoje uma interdependência global entre os países, considerando os centrais como menos dependentes, não podemos de forma alguma caracterizar o nosso país como colônia de outro país. Ser colônia é ser mandado, é não ter pátria, é não ter liberdade de pensamento, política ou de crença. É viver em função do enriquecimento da metrópole. Só para ilustrar, o Brasil começou o seu processo de industrialização cerca de 200 anos depois da Europa e da América do Norte. Os EUA declararam sua independência da Inglaterra aos 04 de julho de 1776 e começaram a se industrializar em 1780. A Inglaterra, em 1740. O Brasil, por volta de 1940. Por que? Porque o processo de colonização portuguesa, de certa forma impediu de todas as formas de iniciativa de industrialização. Com a vinda da coorte portuguesa em 1808 e abertura dos portos, passando pela independência em 1822 e durante quase todo o império, os acordos entre a metrópole e posteriormente o império e a Inglaterra dificultavam tremendamente as iniciativas de industrialização. As primeiras fabricas começaram a ser montadas com a chegada dos imigrantes italianos em meados do século XIX, com importação de maquinários, mas somente em meados do século XX é que de fato as industrias genuinamente brasileiras apareceram.

Temos a nossa independência e devemos nos lembrar disso todos os anos. Somos uma das maiores democracias do mundo, temos liberdade de ascensão social, embora tenhamos que melhorar muito a nossa casa. Precisamos criar melhores políticas de proteção ambiental, distribuição de renda, leis de combate à violência e corrupção mais severas, etc. Entretanto, estamos a caminho, não devemos nos desanimar. Usamos o pronome na terceira pessoa do plural porque entendemos que fazemos parte do processo, temos um papel como sujeito construtor no processo histórico.

O segundo motivo porque comemoramos essa data é que a nossa escola tem origem americana. É comum ao povo e às instituições americanas festejar a sua liberdade de que tanto se orgulham. O Gammon traz em sua gênese esse legado tão nobre, aplicando-o à realidade brasileira. É importante para a escola ensinar aos seus alunos e familiares essa prática cívica.

O terceiro motivo, é porque a escola entende que a vida humana é comemorada em todo o tempo através de rituais. Comemoramos nosso nascimento, aniversário, puberdade, casamento e até morte. Faz parte da existência humana esses marcos históricos comemorativos. O 7 de Setembro é um deles. É um ritual em que se comemora exatamente uma grande vitória do passado, para que esse não se perca no tempo. Comemorar o passado é construir identidade. Esquecer, é perdermos quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir.

O quarto motivo é reflexivo. É hora propícia de refletir sobre a situação da nossa pátria, numa postura construtiva. Estamos cansados de oposições críticas e mórbidas que não tem nada a acrescentar no melhoramento da vida social, senão jogar pedras. São pessoas que não conseguem manejar qualquer ferramenta para assentamento dos tijolos. Nem ao menos tem qualquer idéia nova, senão ser contra tudo. Refletir é fazer um diagnóstico da situação. É perceber o que há de errado, o que está melhorando, o que precisa ser mudado. É denunciar! É protestar! É propor! Mas sempre como um sujeito ativo, construtor, que faz parte do processo.

Um quinto motivo é a construção do civismo. Se nós não amarmos nossa pátria, nosso solo, nossa gente, nossas tradições, nossa história, quem amará? Quem se interessará por ela? Quem se orgulhará do que merece aplausos? Nossos alunos precisam aprender o civismo. Civita é a cidade grega. Viver em cidade, em sociedade exige cidadania. Civismo é cidadania. Cidadania é a arte de construir a cidade em cooperação com todos os seguimentos. É respeito, é altruísmo, é participação, é crítica construtiva, é proposta de mudança, é luta contra os mercenários! Comemorar o 7 de Setembro é uma maneira importantíssima de construção da cidadania.

Não somos neo-positivistas não. Acreditamos que os conflitos sociais são importantes para que uma nova sociedade sempre nasça em nossos conceitos e cosmovisão. Conflitos por meios legítimos. Uma sociedade mais justa, que distribua melhor a sua renda, mais flexível na oportunização de crescimento para todos, em que de fato o poder de governo venha do povo e que o Estado seja visto como funcionário do povo.
Autor: Lício Luciano Nonato

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